Efeito estufa

Até 2100, os cientistas preveem que a temperatura média da superfície da Terra irá aumentar entre 1°C e 6°C. Pode parecer pouco, mas tal variação, que já está ocorrendo, já é responsável por sérios problemas. O mais conhecido deles talvez seja o derretimento da camada de gelo do Ártico. Segundo estudo publicado na revista Nature, desde o final do século XX, a região perdeu cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados de gelo – o equivalente aos estados da Bahia e do Amazonas juntos.

O aumento da temperatura global, porém, tem também sérias consequências para a agricultura. Até 2050, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisa de Política Alimentar, as mudanças climáticas provocarão menores colheitas de arroz. A cultura é uma das mais importantes na alimentação de bilhões de pessoas em todo o mundo. Atualmente, o arroz e seus produtos proveem de 60% a 70% das calorias ingeridas diariamente por mais de 2 bilhões de pessoas na Ásia, e é a base da alimentação de mais da metade da população mundial, conforme artigo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

Consequentemente, deverá haver um aumento nos preços desses alimentos que, de acordo com o IFPRI, pode chegar a até 100% em 2050 (com relação a 2010).

Para mitigar esses efeitos, é necessário diminuir a emissão na atmosfera de gases de efeito estufa, os responsáveis pelo aquecimento global.

Os agricultores têm um papel fundamental neste processo ao utilizar tecnologias que permitam diminuir o uso de máquinas na preparação da terra, economizando combustível e também mantendo o carbono no solo – onde ele é mais do que bem-vindo como nutriente.

O uso de sementes geneticamente modificadas tolerantes a herbicidas tem sido crucial neste processo. Com elas, é possível retirar as plantas daninhas que prejudicam a produtividade usando o sistema de plantio direto, pelo qual o solo não é remexido – as sementes são plantadas diretamente em berços juntamente com fertilizantes. O trabalho de retirada é feito com o uso de herbicidas, que matam as plantas invasoras, mas não a semente. De acordo com o relatório ISAAA, em 2010, a quantidade de dióxido de carbono que deixou de ser emitida no mundo em razão da adoção dos transgênicos foi equivalente à retirada de 9 milhões de carros das ruas pelo período de um ano – mais do que o dobro da produção de veículos no Brasil em 2011, que foi de 3,4 milhões de unidades. Em 2009, o número ficou em 7,8 milhões de carros, como mostra pesquisa da consultoria PG Economics.

Aumentar a produtividade das terras agriculturáveis com a utilização destas tecnologias faz também com que não seja necessário expandir tanto as áreas de plantio. Consequentemente, preservam-se florestas e habitats que sequestram carbono e mitigam os efeitos do aquecimento global.

Estudo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos revela que o uso de sementes de alta produtividade, iniciadas com a revolução verde, aliadas a técnicas como o plantio direto, evitou a emissão de cerca de 13 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) ao ano entre 1961 e 2005, ou cerca de 600 bilhões de toneladas de CO2 em todo o período – o que corresponde a aproximadamente 34% do total emitido por humanos entre 1850 e 2005.


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